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Indicados para o BC defendem controle da inflação e câmbio flutuante
05/07/2016 13:36 em Economia/Negócios

- - A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal realiza nesta terça-feira (4) sabatina de quatro indicados para a diretoria do Banco Central. São ouvidos Reinaldo Le Grazie, Tiago Berriel, Isaac Sidnei e Carlos Viana de Carvalho.

- - Se aprovados pela CAE e pelo plenário do Senado, eles assumem cargo no BC e vão participar de decisões como a definição da taxa básica de juros. - - Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, o maior patamar em dez anos. Também vão opinar sobre a política para a taxa de câmbio, entre outros assuntos.

- - Com discursos muito parecidos, os indicados defenderam a estabilidade do poder de compra dos brasileiros, a solidez do sistema financeiro, a volta do chamado "tripé" macroeconômico e o sistema de câmbio flutuante - com intervenções "pontuais" para corrigir distorções.

- - Eles avaliaram ainda que o ajuste das contas públicas, com controle de gastos, é importante para a contenção da inflação. - - Os indicados também mostraram que estão fortemente alinhados com as opiniões do novo presidente da instituição, Ilan Goldfajn, que assumiu o cargo também depois de sabatinado pela CAE.

- - > Tripé macroeconômico e câmbio:
- - Reinaldo Le Grazie, indicado para a diretoria de Política Monetária do Banco Central, disse que, para o Brasil retornar um ambiente de estabilidade, confiança e crescimento, é preciso o resgate dos princípios do tripé macroeconômico e "sua aplicação da forma plena".

- - O chamado "tripé macroeconômico" tem como base câmbio flutuante (redução das ações para estabilizar cotação do dólar, que passa a seguir as condições do mercado), sistema de metas de inflação, com juros fixados de acordo com as metas pré-estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional, e responsabilidade fiscal (esforço do governo para conter gastos e reduzir endividamento).

- "Um dos pilares desse tripé é termos uma inflação baixa e estável, que evite a corrosão dos salários e amplie horizontes, favorecendo a expansão dos investimentos e da produção, condição indispensável para o crescimento do emprego e da renda, bem como para o fortalecimento das políticas sociais", declarou ele.

- - Le Grazie afirmou ainda que o regime de câmbio flutuante pressupõe intervenções pontuais que sirvam para corrigir fortes distorções, sem alterar a trajetória da moeda. Segundo ele, não é comum e o Brasil não deve ter livre flutuação do câmbio, sem nenhum tipo de intervenção.

- "A taxa de câmbio real é determinada pelas forças de oferta e demanda e a competitividade da economia advém de fatores como a produtividade das empresas e dos trabalhadores, os níveis educacionais e tecnológicos e o grau de inovação na economia", concluiu ele.

- - > Transparência e gastos públicos:
- - Já o economista Tiago Berriel, indicado para a diretoria de Assuntos Internacionais do Banco Central, avaliou, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, que o processo de condução da política de definição dos juros fica mais potente com aprofundamento da transparência e da objetividade em sua comunicação com a sociedade.

- "Quanto à questão fiscal [controle dos gastos públicos], e suas implicações para a política monetária [definição dos juros para conter a inflação], estamos no início de ajustes na economia que, em sendo encaminhados e aprovados, tem todo o potencial de continuar reduzindo as incertezas na economia, com queda do risco Brasil e melhora na confiança. - - E com isso, tais medidas irão contribuir para que a política monetária tenha toda a força e eficiência no cumprimento de seus objetivos", acrescentou Berriel.

- - Se for aprovado para a diretoria de Assuntos Internacionais, ele disse que acompanhará a política monetária acomodatícia na Zona do Euro e no Japão [taxa de juros próxima de zero ou até mesmo negativa nessas regiões], e as consequências do processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

- - > Previsibilidade na economia:
- - Carlos Viana de Carvalho, indicado para a diretoria de Política Econômica da autoridade monetária, avaliou que inflação baixa e estável e um sistema financeiro sólido e eficiente contribuem para um maior grau de previsibilidade na economia, com diminuição dos prêmios de risco (juros do mercado] e alongamento dos horizontes de planejamento de famílias, empresas e governos.

- "Os benefícios da estabilidade macroeconômica e do sistema financeiro estendem-se a todos nós brasileiros, e aos cidadãos de qualquer país. - - No caso de economias com maior desigualdade de renda, como o Brasil, os benefícios desta estabilidade são ainda maiores. - - Isto porque uma inflação alta e volátil tem efeitos ainda mais deletérios sobre as camadas menos favorecidas da nossa população, que geralmente não têm acesso a instrumentos que as protejam da perda do poder de compra da moeda", declarou ele.

- - > Busca pela meta central de inflação:
- - Já Isaac Sidnei, que está sendo indicado para a diretoria de Relações Institucionais do Banco Central, disse que é importante a autoridade monetária buscar e obter a meta de 4,5% de inflação em 2017 e utilizar as "ferramentas monetárias" para manter a inflação baixa e estável.

- - Ele disse também que o BC tem de efetuar uma comunicação com a sociedade de modo contínuo, simples, direto e conciso, além de manter o regime de câmbio flutuante, usando as ferramentas cambiais com parcimônia para conter as disfunções do mercado, sem prejuízo de reduzir exposições cambiais [estoque de contratos de swaps em mercado] em determinados instrumentos em ritmo compatível com o normal funcionamento do mercado, quando e se estiverem presentes as adequadas condições.

 

 - - - - - - - - > Alexandro Martello - Do G1, em Brasília - 05/07/2016 09h52-Atualizado em 05/07/2016 12h24

 

 

 

 

 

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