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Detentos vão produzir energia para presídio andando de bicicleta em Sete Lagoas
13/02/2018 - 10h06 em Minas Gerais

Em bicicletas adaptadas, detentos de Sete Lagoas vão produzir energia para o presídio. A cada três dias de esforço, em sistema de revezamento, um será descontado da pena


JO - Junia Oliveira/Site Estado de Minas - A imagem da capa do site Multisom foi retirada de arquivos da internet

Postado em 11/02/2018 06:00 / Atualizado em 11/02/2018 08:57


 

Projeto-piloto desenvolvido no presídio de Sete Lagoas, na Região Central de Minas, vai transformar pedaladas em luz. Um sistema inédito desenvolvido pela equipe de engenharia da companhia energética do estado (Cemig) em parceria com outras três empresas adaptou em bicicletas geradores de energia. Além de economizar a conta, o Luz pra Liberdade, por meio da prática esportiva, vai possibilitar ainda reintegração de detentos. Produto estará disponível para comercialização e poderá ser usado por diversos setores.


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O engenheiro de tecnologia e normalização da Cemig Márcio Eli Moreira de Souza diz que a estatal foi procurada em 2015 pela então Secretaria de Estado de Defesa Social em busca de um projeto mais moderno que aquele desenvolvido em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, desde 2012. Lá, bikes velhas e sem registro guardadas na delegacia foram levadas para o presídio. Apoiadas em cavaletes, elas são ligadas a alternadores e a baterias. Oito detentos com bom comportamento foram selecionados para participar do projeto Pedalando para a Liberdade. A energia gerada com as pedaladas é suficiente para acender 10 das 34 lâmpadas da praça da cidade.

“Topamos o desafio, procuramos parceiros e desenvolvemos um equipamento que, em vez de carregar bateria, injeta energia diretamente na rede elétrica do presídio, possibilitando a redução da fatura”, explica o engenheiro. O projeto inicial conta com cinco bicicletas, que foram construídas com esse fim e produzirão na faixa de 300 watts a 400 watts cada uma. “Vai gerar pouca energia, menos de 1% do total consumido”, diz Márcio Eli.

As vantagens, no entanto, vão além. A ideia é pôr quatro detentos por bicicleta, que vão pedalar durante 15 minutos, se revezando durante quatro horas. No fim desse período, cada um terá se exercitado por uma hora. A cada três dias de prática de esportes, um será descontado da sentença. Antes do início do programa, os detentos serão submetidos a uma avaliação médica e acompanhados por profissionais do núcleo de saúde do presídio.

A verba de R$ 150 mil para o desenvolvimento das bicicletas é proveniente de recursos financeiros do Poder Judiciário. O projeto foi apresentado ao comitê de segurança da cidade de Sete Lagoas, instituído pelo juiz da Vara de Execuções Penais local para ajudar a decidir, coletivamente, em que seria destinado o recurso. Márcio Eli ressalta que o modelo pode servir a propósitos diversos. “A solução que um parceiro desenvolveu está começando a ser comercializada em academias de São Paulo, mas não é aplicável em presídio, pois nesses lugares não se podem usar partes que soltam e podem se tornar arma. É uma preocupação nesse tipo de produto. Por isso há diversos modelos e cada um serve para um propósito.”

A subsecretária de Humanização do Atendimento da Secretaria de Administração Prisional (Seap), Emília Castilho, destaca a importância da reintegração. “Além de ser uma proposta autossustentável, dentro do nosso universo do sistema prisional, significa uma das formas por meio das quais buscamos a ressocialização. É importante tirar esse indivíduo da ociosidade e mantê-lo trabalhando, fazendo-o se sentir útil e gerando benefício para a sociedade como um todo, para que se enxergue como alguém inserido na nossa sociedade”, diz.

Segundo Emília Castilho, dando certo, o projeto poderá ser expandido, mas ainda não está dimensionada a quantidade de unidades atendidas nem de presos beneficiados.

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