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Brasil diz que vai 'revisar' segurança na Olimpíada após mortes na França
15/07/2016 13:43 em Terrorismo

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, informou nesta sexta-feira (15) em entrevista no Palácio do Planalto que o governo vai “revisar” as medidas de segurança para a Olimpíada, em razão das mortes registradas nesta quinta (14) em Nice (França). Entre as medidas, explicou, estão mais “postos de controle, mais barreiras e restrições no trânsito”.

Nesta quinta, um motorista de caminhão atropelou diversas pessoas que estavam assistindo à queima de fogos em comemoração ao 14 de Julho, Dia da Queda da Bastilha, em Nice, no sul da França, matando ao menos 80 pessoas.

O presidente François Hollande anunciou que irá estender por mais três meses o estado de emergência, além de reforçar suas operações na Síria e no Iraque.

“Desde aquele momento [mortes em Nice], o Ministério da Justiça, o Ministério da Defesa e o GSI estão trabalhando para garantir que continuemos no mesmo nível de segurança nos Jogos Olímpicos, e isso vai exigir revisões, novas providências e exige muito trabalho intenso daqui para frente para que possamos manter o nível de segurança”, disse Etchegoyen.

“Essa revisão, obviamente, identificará algumas lacunas e posso lhes dizer, com bom grau de probabilidade, que o quadro atual nos sugere incremento de algumas medidas relativas aos Jogos. São medidas práticas, como mais postos de controle, mais barreiras e algumas restrições de trânsito. […] É importante que a população entenda que vamos trocar um pouquinho de conforto por muita segurança”, acrescentou.

Segundo o ministro, o planejamento de segurança feito até aqui será “auditado” para encontrar se houve “eventual lacuna” nas ações de preparação.

De acordo com o ministro do GSI, o presidente da República em exercício, Michel Temer, que está em São Paulo, antecipou sua volta para Brasília para a tarde desta sexta (que ocorreria somente no início da noite) para comandar, no Palácio do Planalto, uma reunião com o núcleo de ministérios responsável pela segurança das Olimpíadas: Justiça, Defesa e Segurança Institucional.

Ainda segundo Etchegoyen, as preocupações do governo em relação à segurança dos Jogos "subiram de patamar" desde o episódio na França, e por isso serão necessários o "ajuste e a revisão" de "todo o dispositivo de segurança" planejado para o evento esportivo. De acordo com o ministro, será preciso "maior integração" entre as pastas do governo responsáveis pela segurança.

"Mas sem querer transmitir um falso otimismo, o que seria de enorme irresponsabilidade, estamos pronto para os Jogos, não há dúvida. Apenas vamos revisar o planejamento, os procedimentos", observou.

'Possibilidades' de ataques
Durante a entrevista, o ministro do GSI foi questionado sobre se os serviços de inteligência brasileiras já identificaram algum tipo de ameaça terrorista durante os Jogos. Segundo ele, não há a identificação de que alguma organização estaria planejando um ataque.

"Mas temos possibilidades de ocorrência [de ataques] no Brasil, como em qualquer outro lugar, considerando as atuais circunstâncias. E falo em possibilidade de ocorrência de fatos. Possibilidade. Mas não estamos focados nesta ou naquela organização e não vou me estender sobre informações mais detalhadas sobre as nossas operações", disse.

Indagado, então, sobre se ao falar em "possibilidade" estaria relatando que o governo identificou uma "tentativa concreta" de ataque terrorista durante a Olimpíada, respondeu:

"Quando chegarmos a uma confirmação de que há uma tentativa concreta, aí mudamos a palavra para 'probabilidade'. Vejam, quando temos um evento que reúne o mundo inteiro, todas as possibilidades que afetem a segurança é nosso dever levantá-las, e estamos preparados para que possamos reagir. Os graus de probabilidade vão sendo aumentados ou diminuídos".

Reunião com franceses
No Palácio do Planalto, Etchegoyen destacou ainda que integrantes do governo se reuniram na manhã desta sexta com integrantes do governo francês para buscar novas informações e detalhes sobre as mortes em Nice para "ajudar" no planejamento para a Olimpíada.

Sírio no Brasil
O chefe do Gabinete de Segurança Institucional também foi questionado nesta sexta sobre a situação do cidadão sírio Jihad Ahmad Diyab, ex-preso de Guantámo que, segundo o governo uruguaio, fugiu para o Brasil em junho deste ano.

"Não vou tratar de nomes ou sobre as operações que a Abin [Agência Brasileira de Inteligência], a PF [Polícia Federal] e outras agências conduzem neste momento. As informações não serão divulgadas", limitou-se a dizer o ministro.

Diyab chegou ao Uruguai em 2014 após um acordo entre os Estados Unidos e o país vizinho para que fossem recebidos ex-presos de Guantánamo. O cidadão sírio vivia no Uruguai na condição de refugiado e é apontado como um ex-integrante da Al Qaeda.

 

 

Filipe Matoso- Do G1, em Brasília-15/07/2016 - 11h39 - Atualizado-15/07/2016-13h14

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